Tenho um carinho muito especial pelo livro do profeta Jeremias; para mim, é uma das obras mais lindas do Antigo Testamento. Desde a minha adolescência, Deus sempre falou profundamente comigo através da vida deste profeta, um homem que tinha todos os motivos para se tornar amargo e melancólico. Afinal, ele profetizou por toda a vida para uma nação rebelde que se recusava a ouvir a voz de Deus e, por fim, foi levada cativa.
Então, por que amo tanto este profeta? Porque Jeremias era um profeta de verdade, com um coração notavelmente parecido com o de Deus. Quando ele vê a nação sendo punida por sua desobediência, em momento algum você o vê comemorando, como infelizmente vemos tantos hoje em dia. Há quem entregue uma mensagem de juízo e fique na expectativa para que ela se cumpra, apenas para poder dizer: "Viu? Eu avisei. Eu sou um homem de Deus". Jeremias, no entanto, era tão cheio do amor divino que, ao testemunhar o castigo do seu povo, ele rasga suas vestes, arranca os cabelos, joga terra sobre si em sinal de luto, geme e chora.
Desse lamento, ele compõe o livro de Lamentações, um canto fúnebre que diz: "Ai da filha do meu povo, que não deu ouvidos à voz do seu Deus". É nesse momento que compreendemos o coração de um verdadeiro homem de Deus: mesmo ao entregar uma palavra de juízo, seu desejo mais profundo é que o povo se arrependa para que o juízo não precise ser executado. Quanto mais conhecemos Jeremias, mais aprendemos que quanto mais de Deus temos em nós, mais o Seu amor transparece em nossas atitudes.
Essa profundidade nos leva diretamente à sua mensagem no capítulo 17, onde ele faz alusão a dois tipos de pessoa e a dois tipos de confiança. Ao pedir ao Senhor uma palavra para esta noite, Ele colocou este texto em meu coração, pois creio que a Bíblia é a maior profecia que existe. Nenhuma outra se compara a ela; tudo está sujeito à Palavra de Deus, que é o prumo pelo qual nivelamos todas as outras palavras. E, neste tempo, creio que Deus nos pergunta de forma poderosa: onde, de fato, está a nossa confiança?
O momento que vivemos é propício para essa reflexão. Em quem temos verdadeiramente confiado nossa vida, nossa casa, nossa família e nosso trabalho? Existe uma frase que virou um jargão popular, até mesmo adesivo de carro: "Deus está no controle". Mas será que realmente vivemos essa confiança? A verdade é que Deus permanece no controle mesmo quando tudo parece fugir do nosso controle. O céu jamais é pego de surpresa. Nós, enquanto estivermos nesta terra, seremos surpreendidos, mas Deus nunca é. A pandemia não O surpreendeu; a situação atual do nosso país não O surpreendeu. Em tudo, Deus nos ensina e ministra aos nossos corações.
É por isso que esta palavra, escrita milhares de anos atrás, soa como se tivesse sido redigida ontem. Como dizia o grande evangelista Billy Graham, "a Bíblia é mais atual do que o jornal de amanhã". Nela, o Senhor já deixava claro à nação de Israel: "Maldito é o homem que confia nos homens, que faz da humanidade mortal a sua força".
Veja bem, a Palavra não condena a confiança interpessoal. Em um casamento, por exemplo, como pode haver mutualidade e companheirismo sem confiança? É fundamental. O que a Palavra revela de forma profunda é que nos tornamos amaldiçoados quando depositamos no homem ou na mulher a confiança que é devida unicamente a Deus. Onde quer que esteja o ser humano, ali estarão a fragilidade e a falha. Por mais que você confie em alguém, essa pessoa poderá, um dia, desapontá-lo. Muitos relacionamentos chegam à beira da ruína porque as pessoas colocam no cônjuge, nos filhos, no governo ou nos líderes, expectativas que somente Deus é capaz de suprir.
A confiança da Igreja de Cristo, especialmente enquanto peregrina nesta terra, precisa estar de forma absoluta e inequívoca na pessoa bendita de Jesus Cristo, e em mais ninguém. Ele continua sendo o amado da Igreja, o Deus assentado em um alto e sublime trono. E, ao mesmo tempo, a Bíblia revela que Ele tem uma fraqueza: um coração quebrantado e contrito. A esse, Ele não resiste. É nesse Deus, soberano e próximo, que nossa confiança deve repousar por completo.
Sara Pavesi
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11/07/2025
Onde Está a Sua Confiança? Uma Lição de Jeremias para Nossos Dias
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